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domingo, 23 de outubro de 2011

A resposta é que não há

Eu não sei o que

Querem as minhas mãos

Ao escrever.

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Só sei que meus lábios

Não sussurram palavras

Ao vento,

Apenas entrego a alma

Ao nada que compõe o ar.

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Cansei de questões de ciência,

Cansei de questões de consciência,

Cansei de questões de correspondência

Dos fatos.

Cansei de indagações e relatos,

Não procurarei soluções.

__________________

Quero indagar em liberdade

O que de suma vaidade

Minha alma se contamina

De liberdade

Como alguém que caminha

A ouvir canções

E se alinha ao bardo

Das sensações

Para dar sonoridade ao desenho

De uma realidade.

__________________

Que no silêncio de palavras

Não sussurradas,

O ar libertino

Movimenta os meus lábios

A amarrar sílabas

Para indagar livre a paixão que sinto,

O amor que me envolve e

As palavras, que como

Todo poeta, minto.

Manoel Vinícius M. Souza

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Num impulso

Volte para os meus
braços e retire esse
ardor de dentro do meu peito.

Volte rapidamente antes que
o dia amanheça e leve
embora as filosofias noturnas
e todas as palavras que
fizeram o dia anterior.

Não se perca no caminho,
perca-se nos meu braços
enquanto pronunciamos
a nossa existência e nos
fazemos completos.

Porque ainda está parada?
Desejas que eu adormeça?

Eu tomarei partido de
meu impulso e
te buscarei antes do fim
de noite, quando o
Sol finalmente aparecer
eu estarei dormindo
ao seu lado, e não haverá
explicação para os nossos
sonhos e muito menos
razão para os nossos beijos.

Seremos existência...




Manoel Vinícius M. Souza

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tua voz

A tua voz é o meu vício,

Meu delírio,

Minha inconsequência.

__

A capacidade de meus ouvidos

Entrarem em estado de

Êxtase é

Permitir a eles ouvirem

A sonoridade da tua voz

A dança das tuas palavras.

__

A capacidade de meus olhos

Entrarem em estado petrificado

É permitir a eles

Seguir o movimento da tua boca

A cada palavra dita numa realidade

Lenta.

__

É o meu delírio de perversão

Que faz a minha mente

Entrar num estado de transe

Numa chuva de palavras

Que se imortalizam num papel

Que nunca será exatamente a tua voz

Mas, me leva a inquietude

De uma transcendência desconhecida

E prazerosa.

 

 

Manoel Vinícius M. Souza

(04/12/10)

Por que morrerei de amores?

Não sei quem tocará tambores

quando os meus olhos

direcionarem-se ao chão

e o mundo permanecer numa

intermitente ilusão.

__

Perderei meus olhos

mas não a minha boca!

Perderei a minha boca

mas não o meu amor!

__

Continuarei a ver a vida passar

na avenida

enquanto aceno

ao delírio mancomunado

na mais completa conspiração

da inspiração insólita e

torta dum esboço

de desenho duma parede

frágil

que a tinta há de quebrar

com um ritmo insolente

que irrita ao invadir

o espaço boçal dos pensamentos

e obriga a ciência a funcionar

num quebra-cabeças de

sentimentos que chegam

ao auge no pôr-do-sol

triste e sonolento

que face à investigação da lua

domina intolerante

o ciúmes da noite

sendo esta travessa-ciumenta

numa alta madrugada

bate à minha porta

obrigando-me pobre poeta

sem olhos

sem boca

sem alma

a retomar saudades

mergulhando em mar de certezas

onde meus braços

nitidamente cansados

levam-me

a morrer de amores.

 

 

Manoel Vinícius M. Souza

(01/12/10)

sábado, 30 de outubro de 2010

A morte do tempo

Eu não sei quem corre,
se é eu ou a floresta.
As árvores me enganam
Com seus tamanhos colossais
E a minha miragem é
De que tudo está perto.
_________________
Subi estupidamente uma escada
Para chegar às alturas.
Tudo era tão pequeno...
Para que mentir
A mim mesmo,
Impossível é enganar
O meu elo.
O elo que me levou
A amar.
_________________________________
Não basta olhar
Para o tempo
E esquecê-lo.
Eu tenho que matá-lo,
Matar o tempo.
_____________________
Por isso as árvores
Me enganam
E as escadas parecem
Estúpidas.
__________________
Matarei o tempo,
Criarei desenhos
E nos leves traços
Estará a minha marca...
______________________
Ao mundo pensante
Darei um sonífero
Para que todos durmam
Por tempo indeterminado,
Pelo tempo morto.
______________________
Eu matei o tempo,
Não,
Nós matamos o tempo,
Era necessário para sentir
O que nem todos sentem...
Matamos,
Desenhamos,
Dormiremos?
Manoel Vinícius Souza
(18/10/10)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Se caso houver desejo
ele não será meu.
Será um impulso,
vazio.
______
Se caso houver desejo
ele será apenas um som,
compreendido no silêncio
dos pensamentos,
um impulso
incompreendido,
sem tom.
_____
Se caso houver saudade,
será o desejo instável
dos meus medos volúveis
e corrosivos.
____
Se caso houver desejo
e saudade,
serei consumido
por meu corpo,
ação dos meus olhos
que molham
e da minha boca que grita.
_____
Sem tom e
sem som
Manoel Vinícius Souza
(22/10/10)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nada

Tomei consciência
daquilo que representa o nada.
O nada que navega
perdidamente num
oceano imaginário.
Em sons de fúria
duma tempestade
com fome.
O nada que olha
a luz da noite,
é o nada que sente.
O nada me permite
correr na chuva,
o nada que me permite
delirar com os desejos,
é o nada que tece a alma,
que cria os medos.
Um nada intenso.
Eis o nada,
eis porque se chama nada
e ganha corpo.
Mas, para mim
ainda é nada.

Manoel Vinícius Souza
(01/10/10)

O ir e voltar

O que as pessoas
fazem de melhor
é ir e vir.
Carregados de impulsos e necessidades,
as pessoas vão
e eu nem imagino para onde.
Vão para as suas casas,
seus amantes,
seus amados;
vão para enlouquecer
no futuro.
Mas, voltam sempre,
vivos ou mortos,
sempre voltam para
visualizar a pegada
que deixaram,
o ar que respiraram
que muda com a chuva.
voltam para lembrar
o que já foram.
Percebem o ir e vir
nem sempre
como estas palavras,
porém, as pessoas
sempre vão e
voltam.
Manoel Vinícius Souza
(01/10/10)