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domingo, 5 de fevereiro de 2012

O meu medo


Não tive medos
E ainda não os tenho.
No entanto uma verdade
É capaz de deixar resquícios de
Um medo que nada
Mais é do que a própria verdade,
Dolorosa,
Insensata e
Mais insana que eu.

É mesmo interessante
Quando se descobre um medo.
Principalmente quando este medo
Te leva ao mais fundo do teu ser,
O mais fundo de si,
Que toda impiedade é
Posta a sua frente
E friamente o fogo
Consome cada célula
Do corpo.

Como se estivesse olhando para
O Sol.
Frente a frente com o astro
Ele me cega, me atrai
E me devora em chamas,
Passo achá-lo lindo,
Porém, doi...

A loucura de uma alma em
Plena dormência
É a saudade que
Revela o limite das palavras
Quando estas não possuem
Os olhos atentos,
Os ouvidos tão recíprocos,
O sorriso tão fotografado.

Não há em mim o medo
Literal do mundo,
Há apenas o medo literal humano.
O conhecimento do que sente
E do que se faz sentir
É tão assassino quanto uma
Mente sem medos de matar.

Tantas coisas são jogadas no
Lixo dos meus pensamentos
E num processo de alimentação
Das chamas, que por vezes
É inconsciente,
Tudo se torna passível de
Incêndio
Até mesmo a materialidade
Do que temos por real.

Eu volto sempre a ver o
Sol,
No entanto, com a alma acordada
Para que não somente os meus olhos
De mim sejam os que enxergam,
mas o meu eu vivo
veja o astro rei,
veja o amor
me consumindo,
queimando cada entranha do meu corpo,
cada sopro de pensamento
cada palavra escrita,
cada palavra dita,
cada verdade em mim existente,
e não sobre pó do que fui.

Nisso que enxergo
eu possa sempre ver
(mesmo alimentando tais chamas)
os olhos dela me consumindo,
o silêncio da certeza de sua alma
pairando sobre o ar
e o sorriso roubado (ou não)
que vem de um Sol
devorado
em suas próprias chamas
perante a aceitação de toda a
minha existência e disso que me
faz existir.

Manoel Vinícius M. Souza

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Num ciclo

O desejo alimenta
os meus vícios.
Os meus pensamentos alimentam
a ideia.
A música alimenta
a poesia.
Os sons alimentam
o meu descanso.
O Amor alimenta
a minha alma.
Os sorrisos alimentam
os meus sonhos.
A inspiração alimenta
a insônia.
A insônia alimenta
a saudade.
 E a saudade alimenta
o desejo...

Manoel. Vinícius Souza

XVII instantes

A inspiração
me vem num
instante.
Carrega consigo
um intenso levante
de sonhos infantes
e dos medos
revirados da estante.
Se pensasse com
versos pedantes
sorria triunfante
como poeta de amantes.
Sou poeta, sim!
Mas sou apenas amante
dessa inspiração
que me vem
nesse instante.

Manoel Vinícius Souza

domingo, 15 de janeiro de 2012

Poesia segundo o mar


De fronte ao mar
O encaro
Como um interrogador,
Descubro as conspirações
Do mar e da lua.

Eu ouço o som do mar...

Interrogo a mim mesmo
E me pergunto por que
Ele ainda não a trouxe?

Durante a noite as águas tornaram-se
Homogêneas e os meus sonhos
Eternos perante
A minha concepção de um
Mundo que nos aproxime.

Ouvi o mar...

Vem ver o sol nascer
 sobre nossos ombros
Na cama
Como dois amantes
Silenciosos em suas promessas
E prontos para amar.

Vem ouvir a poesia que
As ondas pronunciam
Como se fossem novidades
De almas mergulhadas em saudades...

A minha alma...

Se não podemos olhar
O sol por inteiro
Sejamos então humanos
E nos banhemos de nossa
Impureza,
Enquanto nossa humanidade
Seja divina como todas as coisas.

Sejamos humanos para ouvir
As promessas do mar
Enquanto somos um só
Em nossa intensidade.

Essa poesia é a transcrição
Das palavras do mar
Numa noite em que
O encaro,
Como interrogador
E a lua me interroga
Como se me faltasse companhia.

Manoel Vinícius M. Souza

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ao mar

Olhando para o além mar,
além do tempo,
além do meu tempo.

Parar para olhar o
caminhar das horas,
do sol que se vai sem mim
e tendo você em
meus braços.

O meu olhar preguiçoso
dos segundos espaçados
e dos meus sonhos
vislumbrados em teus olhos,
se espalha pelo horizonte
dos mares que nos envolvem.

Como uma ressaca
voltamos
a praia dos beijos roubados,
dos beijos ardentes e
inocentes frente
ao infinito de nossos lábios.

Olhando para além mar,
vejo a preguiça de nosso tempo
que insiste em esvair-se pelos meus dedos
enquanto minhas mãos
perdem-se em ti.

Manoel Vinícius M. Souza


domingo, 25 de dezembro de 2011

Brincadeira que sente saudade

Vem,
vamos brincar
de fazer poesia
levada numa canção
como numa canoa.

Vamos
nos esconder atrás
daquela árvore
cochichando aos nossos ouvidos
as pulsações de nossos corações.

Me olhe com
aquele sorriso roubado
como quem pensa
em como brincar
com o Amor.

Vem,
vamos de mãos dadas
mergulhar nessa brincadeira
e esquecer do ao redor
para viver essa nossa
poesia.


Manoel Vinícius Souza

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

XII

Crio sonhos,
metáforas,
pinturas e poesias.
Uma eterna inspiração,
um frenesi,
crio a arte.
Constituo os dons,
os tons,
a musicalidade,
mortalidade,
a liberdade.


Manoel Vinícius M. Souza

Brindes

Aos meus versos
uma mera tinta.
Um espelho
do meu Eu.
São meus versos
pretos, brancos,
símbolos, serenos.

Quero ver minha
imagem no espelho;
quero ver minha nudez.
Quero ver o plano de fundo,
quero ver aquele bosque.
Quero sentir o cheiro da paz
que advém do teu semblante,
daquele sorriso.

Entrego-me a maré,
mergulho nos mistérios,
desvendo a linha da surpresa,
rio do fato de que
não há surpresas,
pois, tudo já estava em mim
antes de meu conhecimento.

Um brinde ao que
chamamos de mistério,
às falsas surpresas,
à tudo que já nasceu em nós
e continuará.

Ao Amor,
a humanidade,
ao caos.

Manoel Vinícius Souza