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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pintores

Andamos ao encontro
do mundo
para que o mundo nos abrace.

Andamos por aí,
ao modo do mundo
para que ao final de tudo
tenhamos calma,
tenhamos o caos,
um silêncio.

Quando o mundo se faz céu,
as mãos o
rabiscam
e arriscam
desenhar os traços
de perfeição indefinida
pela alma humana.

Mesmo que o chão
torne-se uma tela,
os pés apenas ão de
marcar uma assinatura
de uma poesia infantil
que brinca de pintar
diversas fotografias

Quando o desenho
se faz mundo,
as brincadeiras poéticas
ganham as linhas
de uma história sem fim.

E andamos por aí,
por histórias que o tempo não ouviu,
onde as figuras
são tracejadas com
borrões,
cujas tintas se
fizeram do encontro
da tela no chão
com a aquarela do céu.

Andamos ao encontro
das tintas e das
inspirações cravadas
na alma humana,
que mancham o
corpo humano com
histórias de amor
em rabiscos
 assinados por mãos
que se dizem poetas,
mas na verdade são
pintoras, pintam um mundo
calmo
que se enche de liberdade.

Mesmo que tudo
não passe de uma
pintura,
escrevemos as palavras com a poesia
na espera de andar
ao encontro de histórias
de um mundo que
começamos a desenhar.

Manoel Vinícius M. Souza
14/09/2011

Verbo de ligação

O vento sopra
em tons poéticos,
o mesmo vento
caminha pelos pensamentos
humanos e
constroi, acima do
que pode ser o tempo,
um emaranhado
de palavras que
se desdobram no silêncio.

São assim as palavras
qe fluem numa
vertente inspiratória,
num dia em que
a alma humana,
a alma do poeta,
explana por olhos amigos
as brincadeiras,
os risos,
as incoerências,
e os sonhos construídos
e inspirados
pelos simples momentos
das palavras
entre nós humanos.

São assim os sonhos
que desenhamos
saudados nas entrelinhas desta poesia.

São sonhos simples,
são tinta e papel
que constituem a
forma como o poeta
deseja representar
o que nem é preciso ser dito,
apenas vivido,
sentido no silêncio.

Não é necessária a
compreensão destas linhas,
é necessário somente
enxergar a pintura
que elas tentam formar.

Seremos, em consciência humana,
sempre um verbo de ligação,
ser.
Seremos sempre humanizados
nas pinturas, quadros,
desenhos, esboços,
um nó de ideias.

Seremos sempre este dia,
calmo, intenso e inspirado
que criou esta poesia.


Manoel Vinícius Souza
(sem data)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma noite - conversa com a Lua

A lua me observa com
aquele olhar de interrogadora,
pergunta-me,
olhando fixamente,
o que faço nesta noite.
Disfarço a pergunta,
mas me inquieto,
ela lembra teus olhos.
Respondo, então,
de alma exposta,
que sou homem,
não mais garoto,
que se apaixonou pelo olhar
que ela tanto lembra;
que ando pela noite
inspirando compassos de uma dança
feita em sonho.
Devolvo, sereno, a pergunta,
o que, lua, fazes esta noite?
Ela me responde,
com um sorriso esperto,
lindo e sincero,
que está aqui para me observar,
à fim de sentir os olhos
de minha amada.

Após nossa breve conversa,
ela se esconde por entre nuvens,
para que eu,
íntimo,
envie meu beijo até você,
meu amor.


Manoel Vinícius Souza
14/03/2012

Dia da poesia

E a cidade dorme.
Só se ouve o som
dos grilos,
dos cães,
e dos carros em meio à rodovia.
No mais,
poucos se aventuram a vagar
pela noite,
apenas se ouve
os pensamentos nas casas,
as conversas sobre trabalho,
os namorados jurando amor eterno,
ideais sendo construídos
e uma ideia de ilusão.
A noite, portanto, é homogênea
em suas formas,
mas heterogênea em sua composição.

Meu amor é homogêneo
pela noite,
mas se diversifica,
de modo a me sentir incompleto
sem sua presença...

É o fim do dia da poesia
que se vai,
a inspiração que fica.

Manoel Vinícius Souza
14/03/2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

O poeta segue...


O poeta segue cantando
Aos ventos,
Aos mares
E ao fim da razão.

O poeta segue dançando
Sem tempo,
Ritmado,
Sem amarras.

O poeta segue andando
Por becos e esquinas.

O poeta segue a sonhar
Por entre os olhos da menina.

O poeta segue a catar
Palavras para a poesia.

O poeta segue...
Por aí...

 Manoel Vinícius Souza

Pra não pensar em futuro

Somos corpos mergulhados
num mar de palavras.
Caminhamos lentamente
para um jardim de futuros,
um labirinto de imaginação
à espera de acontecimentos.

Quando cansar de desenhar o futuro,
pegue as diversas folhas rabiscadas,
misture as cores e
concretize o presente.

Somos corpos mergulhados
em quadros de sentimentos.
Pintamos cada traço
de nosso espírito,
sonhadores,
sonhamos sem pressa
para acordar.

Tenho a sensação
de andar devagar em meio
ao Amor,
mas corro para um abraço
que não espero estar
longe.

Tenho a sensação
de embriaguez de abraços.
Deve se perder
em meus braços.

Somos corpos mergulhados
na certeza de que nunca
deverão andar só.

Andar sem cair
num futuro sem palavras,
num futuro onde a
saudade se faz por distâncias
menores,
numa avenida.

Sem andar só,
mas que só rabisque
os braços a sós,
embriagados só
na sensação
sem ter que acordar.

Manoel Vinícius Souza


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Contando estória


Um casebre no
topo da montanha
molda meu abrigo.

A lareira acesa e
uma colcha de retalhos
a me esquentar.

A saudade se marca
em cada traço
da minha alma.
Estamos em alta madrugada,
você bate à minha porta
pedindo proteção.

Te ofereço abrigo
do mundo lá fora e
 me encanto com tua chegada.
O sorriso que sai
com cuidado e sincero
torna-se semelhante
a lareira, me faz sorrir
e acalenta a minha alma.

O casebre
molda o abrigo
a dois.

Faz-se silêncio
entre nós e
busco ouvir teu coração.

Passamos horas conversando
numa madrugada longa,
enquanto lá fora o vento sopra
a fim de ouvir e levar
nossas palavras.

Não sei por que,
mas meus lábios
atraem-se pelos teus e
quando se encontram
nem mesmo faço ideia
de onde estamos.

O tempo passa ligeiro
por entre nossos beijos,
sendo que nos beijamos tanto que
o sol resolve por reinar,
os pássaros cantam com o dia
e lá fora parece não oferecer
mais perigo...

O casebre,
abrigo de meu amor,
te oferece aconchego, enquanto
o dia passa rápido.
Porém, uma vez que entrou
pela minha porta,
sinto que de mim
não sairá.

Manoel Vinícius Souza



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Surrealismo - cubista

Sentado a ver o Sol.

Um dia sem 
mente clara.

Sensações de rabiscos,
de vazios, 
de xícaras cheias de ideias amontoadas
em livros de nuvens
que se acizentam e 
trovejam parágrafos,
relampejam em páginas brancas
e chovem sílabas desconexas.

Em gotas de ideias 
inacabas
de um dia de Sol claro
e de tormentas (pensamento).

Manoel Vinícius Souza