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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Mínimo

Poemas mínimos,
com sentimentos mínimos,
com louvores à vida.
Aprendeu a senti-los? 
Vivê-lo
no mínimo poema
o verso seguinte
mínimo,
mínimo
que se espera
é o Amor.





Manoel Vinícius Souza

domingo, 4 de novembro de 2012

Razão


Sentindo a sua falta... Um mergulho na saudade
com o Sol a brilhar na janela do meu quarto
e meus olhos ainda de ressaca dos sonhos
te encontrava lá.
Mas abro os olhos e vejo
meu quarto iluminado
por uma nostalgia
e uma presença mais do que real
meu sonho é a realidade...
Pois eu a sinto
enquanto os céus dão espaço
para a existência do Astro que é rei.
Eu fico calado e  deixo minhas mãos dançarem no ar
deixo as horas passarem
o relógio cantar
e anunciar a existência do crepúsculo.
Já é hora dividir segredos com a Lua e
seu coral de estrelas...
Se ela me chama de poeta
mesmo sendo humano
me domino pela insônia
para que os meus sussurros e sorrisos
cheguem até você,  minha amada.
Ainda calado e  com o corpo
a dançar no ritmo do universo
sou domado pela inspiração
e pelo toque do teu beijo.
Estou vivo
e uma razão para viver.
Em ti.

Manoel Vinícius Souza
04/11/2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Gravuras de cartas


Escreva uma carta de amor
e conte as gravuras de seus anos,
só te peço que eu faça parte delas.

Desenhe com lápis as bordas e
sombras de sua alma,
pinte o fundo branco com as cores
desse nosso amor.

Vejo tintas psicodélicas
e nostalgia.

As cores quentes
inflamam esse quadro inacabado.

Artista andarilho da eternidade
tenta novos traços
em paisagens poéticas .

Nessa sua estória de rabiscos de vivência
só te peço que
me desenhe como parte
de sua inspiração.

Manoel Vinícius Souza

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Chuva

Sou nostalgia com os dias de chuva,
mergulho em cada gota
que toca o solo e se espalha,
infiltra,
alimenta a vida.

Não esqueço o abraço
e o nascer da poesia
ao nos tornarmos um só
com as águas.

Tal qual foi o olhar
onde o tempo parou,
minha boca, que mesmo em meio à chuva,
seca ansiava pelos teus lábios.

Foi a certeza do amor
que nasce e
da poesia que me é intrínseca.

Transpassamos a própria linha da existência,
do néctar da essência
e nos tornamos atemporais.
Nos aproximamos de nós a cada beijo.

O amanhecer é o
cheiro de chuva
que me traz vida
e penso na eternidade.
Desconstruo o futuro.

Manoel Vinícius M. Souza

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sexta

Brinco de fazer poesia
numa noite de sexta
silenciosa e fria.
Resolvi hoje conversar
com meus versos brancos
e com meu coração.
O vento impiedoso assola
o mundo lá fora
e a meia luz do quarto,
comovente com a canção da ventania,
me embriago de você.
Não há para onde eu
possa ir senão explorar
a minha fantasia de saudade...
Em doces lembranças
percebo em instantes
nossas travessuras a dois,
logo sinto o sabor de
nosso amor.
Ei de saborear a noite toda
até que minhas mãos viciadas
de poesias e inspiração
te encontrem novamente.

Manoel Vinícius Souza
28/09/2012

Porquê te amo sou louco

Segures minhas mãos
para me dar direção...
Se pareço forte e lúcido
quase sempre
me perco em devaneios
e meu coração chora.
O amor nos enlouqueceu
e caímos ao chão
sem realidade.
Então perguntas se estou bem
com meu coração agora
já tão seu.
Nós unimos nossos olhos
e lábios,
você sabe a resposta.,
eu te amo.
Transcendemos a distância física
e brincamos de telepatia
confundindo a realidade
de nossas mentes
e passamos a sorrir.
Já não separo a consciência
do meu coração,
não sei o que é separar
e bombeio o teu sangue
neste jovem músculo.
Chamem-nos de loucos
em noites de amor eterno
misturando heresias e divindades.
Se fundimos nossas
vãs filosofias
seremos um só
cuidando de um jovem
amor
que brinca de ciranda,
é bobo e chora,
sempre está feliz.
Criança em devaneios e
aventuras segura
nossas mãos,
não estamos separados
mas com mentes em sintonia
com a mesma alma.
Se por te amar perco a lucidez
então assim serei
novo insano.

Manoel Vinícius Souza
22/09/2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Saga

Põe
som
palavra
poesia 
lava 
alma
suja
guerra
homem
silêncio
...
beija
ama
humano
...
História.



Manoel Vinícius Souza

Insônia contemporânea

Durante a madrugada
meu corpo, um peso
na cama.
Luzes piscam
ao meu lado e
projetam a sombra
do meu Eu gigante.
Penso na vida,
em presentes e futuros.
Preciso dormir.
Luzes piscam atrás de mim,
luzes,
luzes,
luzes,
luzes,
luzes,
luzes,
lu-zes,
...
...
..
.

Manoel Vinícius Souza

terça-feira, 17 de julho de 2012

21


Nasce,
nasce sim o amor.

Ele existe,
Persiste,
cresceu em mim.

Mas nasceu há 21 anos,
fez-se parte para tornar um só.
Criou-se para me completar.

Esperamos a infância passar
e a maturidade existir
para que o amor
pudesse entrar no
jeito certo
de viver em nós dois.

Me domina como
Sol reinante,
é cúmplice como a Lua,
é inspiração do poeta.

Nasceu para me dar as mãos,
para que pudesse sorrir,
viver a liberdade
de uma vida apenas amando.

O tempo a fez mulher
passou e te trouxe
até mim.

E agora somos dois
apaixonados,
vivendo os dias
pensando em apenas amar.
Que é assim que nasce a poesia
entre eu e você.



Manoel Vinícius Souza
17/07/2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Meus planos


Vou tirar você do eixo,
Te roubar pra mim,
Ser egoísta e não deixar o mundo te olhar
Antes de eu olhá-la.

Vou te levar pra conhecer o universo,
Explorar galáxias.
Salvá-la de um buraco negro.

Vou te levar para ver o mar,
Vou te apresentar todos os oceanos,
Vamos fugir nessa imensidão
Como piratas num só corpo com as águas.

Vou deixar você viver,
Vou te apresentar a liberdade
E eu estarei ao teu lado.

Manoel Vinícius Souza

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ode à saudade

Se o que faço
é divagar sobre a saudade
é porquê ela me aperta o peito!


Meu sangue carrega pelo meu corpo
cada letra desta poesia
para me fazer poeta do amor 
e da saudade.


Essa tinta provém do
meu sangue.


Sou domado pelo Amor
que projeta o teu sorriso
e o teu beijo.


Não há mais escolha,
tornei-me o teu
maior pintor.
Sei desenhar cada curva
do teu corpo,
posso expressar nas tintas
o teu cheiro,
posso alegrar o mundo com
a representação do teu
sorriso.


Não me torno completo
sem o teu beijo...


Por isso ode à saudade!


Por isso à busca mitológica ao amor,
mas que o sinta real,
terno e
simples.


Este meu sangue de poeta
é vermelho,
é quente para desenhar saudade,
é vivo porque permaneço te olhando
apaixonado.


Estas minhas mãos dançam
com as letras
e este pensamento...
este pensamento já vive em ti.


Eu que sou
metade de mim e
metade de ti, 
na tua ausência
sou metade nós
e metade saudade.


Manoel Vinícius Souza

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tempo

"És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo"
(Gadú)
De fato faz muito tempo que não posto...

Aliás, tempo é um pseudo-tema que quero abordar por aqui.
Talvez, você, que agora lê esse post, nem me conheça. Talvez nunca tenhamos de fato nos visto (digo no sentido físico e no sentido subjetivo)...Mas temos algumas coisas em comum!
Muitos de nós acreditamos ser regidos pelo tempo, ainda que o mesmo, seja singular para cada um. E cada um de nós temos diferentes interpretações acerca de tempo. Diferentes necessidades e perspectivas... O que nos vale é viver cada dia, executando tarefas, sanando necessidades físicas, expressando sentimentos, planejando coisas, divagando outras...Ou ainda, o que nos vale é exatamente o avesso...E por aí, seguimos o barco.

Fui procurar o significado de tempo num dicionário com http://, muito simpático por sinal! Em sua digníssima definição, deparei-me com 21 linhas e espaçamento 1,5pt! Cheguei na mesma conclusão cabalística de há pouco, meus caros: singularidade.
Mas ainda assim, não satisfeita, fui pesquisar com alguns seres. Devo admitir que ambos são amigos fabulosos que conheço há muito tempo (ou seria pouco? Tempo?) Haha!

Fiz a mesma pergunta para ambos: Para você o que é tempo?

O primeiro me disse quase que num Caps Lock, uma digitalizada, mesmo que há milhas e milhas de mim, quase que audível:

"O tempo não existe. O matei porque aprendi a amar- O tempo não cabia no meu amor." -Resumi, admito!

Já o segundo:

"Não há como negar o tempo nas relações que tenho com as pessoas que convivo e espaços que passo. Nem negar o efeito do tempo nas pessoas/coisas e em mim mesmo, como meus pensamentos, sentimentos, obras-prefiro vê-los como se fossem imortais, mas não posso assegurar que com "o tempo" eu mesmo não esqueça deles ou os mude"
E mais:
"O tempo rege meu cotidiano, para momentos bons e momentos de tensão"

A finalidade de perguntar para cada um o que sentiam e pensavam sobre o tema era para contextualizar e ilustrar o texto, assim como divagar sobre a singularidade.

Aí eu me pergunto, pensando sobre o primeiro comentário: Como o tempo não existe se ele foi assassinado?
Para morrer, tem-se que viver, e viver também tem sua definição singularizada! E acredita-se que viver é um certo tipo de existência... Porém, muitos outros desacreditam em ser! E aí?! Se morremos deixamos de ser? Mas o que é isso tudo, afinal?!

O que temos em comum talvez seja nossa singularidade. Portanto, fiel a minha contradição puramente geminiana, permito-me desconsiderar qualquer afirmação ou não afirmação e deixar a seu critério e liberdade de entendimento e expressão.

O que eu tenho é amor. O que me basta...



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Eternizar o sorriso

E por que não te 
roubar um sorriso, 
selá-lo com um beijo
e eternizar esse momento?

O teu sorriso invade 
todo o lugar e 
transporta a intensidade
desse amor.

E olho a Lua 
para te encontrar,
sonho em beijar teus lábios
e ela me traz um sorriso teu.

No horizonte nossos 
olhares se encontram
e um arrepio que toma o corpo
é o coração acelerado
que reconhece como eternizar 
o amor.

O que acontece quando
já não se reconhece como só,
apenas feito de dois?

Acontece que a minha liberdade 
é feita de ti...

E a minha eternidade
é feita do teu sorriso...


Manoel Vinícius Souza

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Verdade sobre o Amor

O Amor é assim,
prega peças,
é uma criança brincalhona
que fugiu do convívio com os deuses
para ser feliz
com os humanos...

Manoel Vinícius M. Souza

terça-feira, 12 de junho de 2012

Inspiração



Deixo meu coração repousar
num quarto silencioso.

Deixo meu corpo
mergulhar num profundo
oceano de sentimentos.

Meu equilíbrio.

Minha garganta é
feita de palavras flamejantes,
mas não tanto quanto
as minhas mãos
que pincelam labaredas de fogo
de palavras escassas,
de puros sentimentos,
da verdade inalienável do poeta.

Gosto quando a cidade escurece
num pôr do sol intenso
e eterno aos olhos.
As palavras circundam o disco lunar enquanto
os papeis balbuciam versos brancos.

As mãos poéticas são meras
ferramentas alienáveis.
Alienam as estruturas da noite,
a estrutura da língua
e o pensamento do leitor
que ora vê mistério,
ora vê simplicidade.

Não se interpreta,
se vive,
se desenha na mente,
se rascunha poesia.

Queima-se
num incêndio quando em andar leve,
com olhar penetrante,
e em suspiros que entorpecem
chega a inspiração.

Manoel Vinícius Souza
12/06/2012



domingo, 6 de maio de 2012

Caixas


Procurando caixas para contar,
contar poesias e palavras.


Contando o que todos querem
há longo tempo,
enquanto as palavras e 
as caixas
guardam os sussurros e 
os sorrisos
de poesias que encontram 
inspiração nos que amam.


Todo dia há alguém
procurando por entre espelhos
os olhos do poeta e
viaja por entre as caixas
na busca de contar palavras
e montar frases.


Não havendo frases a montar
deixa-se as palavras nas caixas,
aglomeram-se as certezas
e respira-se o que se anda procurando,
embriaga-se nas certezas de que 
com o passar dos anos
as palavras não apodrecerão 
se alguns dias elas não respirarem.


Os olhos são a caixa,
palavras não ditas,
sorrisos dados ao ventos
na esperança de levar 
a mensagem.


Eu abro a caixa, 
e percebo que com mais anos 
terei mais poesias para
formar com tantas sensações
e tantas conversas que se passarão
com os ventos.


Não havendo frases a mais
para montar,
acabo a poesia
até o próximo ano. 


Manoel Vinícius Souza

segunda-feira, 23 de abril de 2012

História de nosso mundo ao lugar

Tão longe do meu lugar,
tão longe o meu olhar,
distantes são minhas percepções.

Tão distante e próxima a mim,
está a minha inspiração,
somos a dialética, 
negação da distância e 
o sabor da proximidade.

Esse é o meu mundo,
sentindo o cheiro dos prazeres do amor, 
o toque dos lábios de minha 
inspiração.

Esse é o nosso mundo 
de construção de milhares de memórias,
com centenas de quadros em movimento,
das mais belas sensações.

Não há herois ou vilões,
somos embasados e embalados 
pela pura sensação.

Amamos ao ar livre de
nosso lugar,
amando os passos, 
os olhares,
amando os amigos,
os sorrisos.

Andando pelos caminhos 
de nossa história,
bela.

Vamos brincar nesse mundo,
correr, 
esconder-se como fugitivos
compartilhando os céus
que visitarmos e
tornar a Lua nossa mensageira. 
Nosso cartão postal. 

Vamos apresentar os contornos 
dessa poesia que
redesenha os traços do
espaço e tempo,
que no lumiar da aurora
se desfaz,
gira o dia de nosso mundo
para nos encontrarmos
naquele lugar.

Contigo minha inspiração...

Manoel Vinícius Souza
23/04/2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pintores

Andamos ao encontro
do mundo
para que o mundo nos abrace.

Andamos por aí,
ao modo do mundo
para que ao final de tudo
tenhamos calma,
tenhamos o caos,
um silêncio.

Quando o mundo se faz céu,
as mãos o
rabiscam
e arriscam
desenhar os traços
de perfeição indefinida
pela alma humana.

Mesmo que o chão
torne-se uma tela,
os pés apenas ão de
marcar uma assinatura
de uma poesia infantil
que brinca de pintar
diversas fotografias

Quando o desenho
se faz mundo,
as brincadeiras poéticas
ganham as linhas
de uma história sem fim.

E andamos por aí,
por histórias que o tempo não ouviu,
onde as figuras
são tracejadas com
borrões,
cujas tintas se
fizeram do encontro
da tela no chão
com a aquarela do céu.

Andamos ao encontro
das tintas e das
inspirações cravadas
na alma humana,
que mancham o
corpo humano com
histórias de amor
em rabiscos
 assinados por mãos
que se dizem poetas,
mas na verdade são
pintoras, pintam um mundo
calmo
que se enche de liberdade.

Mesmo que tudo
não passe de uma
pintura,
escrevemos as palavras com a poesia
na espera de andar
ao encontro de histórias
de um mundo que
começamos a desenhar.

Manoel Vinícius M. Souza
14/09/2011

Verbo de ligação

O vento sopra
em tons poéticos,
o mesmo vento
caminha pelos pensamentos
humanos e
constroi, acima do
que pode ser o tempo,
um emaranhado
de palavras que
se desdobram no silêncio.

São assim as palavras
qe fluem numa
vertente inspiratória,
num dia em que
a alma humana,
a alma do poeta,
explana por olhos amigos
as brincadeiras,
os risos,
as incoerências,
e os sonhos construídos
e inspirados
pelos simples momentos
das palavras
entre nós humanos.

São assim os sonhos
que desenhamos
saudados nas entrelinhas desta poesia.

São sonhos simples,
são tinta e papel
que constituem a
forma como o poeta
deseja representar
o que nem é preciso ser dito,
apenas vivido,
sentido no silêncio.

Não é necessária a
compreensão destas linhas,
é necessário somente
enxergar a pintura
que elas tentam formar.

Seremos, em consciência humana,
sempre um verbo de ligação,
ser.
Seremos sempre humanizados
nas pinturas, quadros,
desenhos, esboços,
um nó de ideias.

Seremos sempre este dia,
calmo, intenso e inspirado
que criou esta poesia.


Manoel Vinícius Souza
(sem data)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma noite - conversa com a Lua

A lua me observa com
aquele olhar de interrogadora,
pergunta-me,
olhando fixamente,
o que faço nesta noite.
Disfarço a pergunta,
mas me inquieto,
ela lembra teus olhos.
Respondo, então,
de alma exposta,
que sou homem,
não mais garoto,
que se apaixonou pelo olhar
que ela tanto lembra;
que ando pela noite
inspirando compassos de uma dança
feita em sonho.
Devolvo, sereno, a pergunta,
o que, lua, fazes esta noite?
Ela me responde,
com um sorriso esperto,
lindo e sincero,
que está aqui para me observar,
à fim de sentir os olhos
de minha amada.

Após nossa breve conversa,
ela se esconde por entre nuvens,
para que eu,
íntimo,
envie meu beijo até você,
meu amor.


Manoel Vinícius Souza
14/03/2012

Dia da poesia

E a cidade dorme.
Só se ouve o som
dos grilos,
dos cães,
e dos carros em meio à rodovia.
No mais,
poucos se aventuram a vagar
pela noite,
apenas se ouve
os pensamentos nas casas,
as conversas sobre trabalho,
os namorados jurando amor eterno,
ideais sendo construídos
e uma ideia de ilusão.
A noite, portanto, é homogênea
em suas formas,
mas heterogênea em sua composição.

Meu amor é homogêneo
pela noite,
mas se diversifica,
de modo a me sentir incompleto
sem sua presença...

É o fim do dia da poesia
que se vai,
a inspiração que fica.

Manoel Vinícius Souza
14/03/2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

O poeta segue...


O poeta segue cantando
Aos ventos,
Aos mares
E ao fim da razão.

O poeta segue dançando
Sem tempo,
Ritmado,
Sem amarras.

O poeta segue andando
Por becos e esquinas.

O poeta segue a sonhar
Por entre os olhos da menina.

O poeta segue a catar
Palavras para a poesia.

O poeta segue...
Por aí...

 Manoel Vinícius Souza

Pra não pensar em futuro

Somos corpos mergulhados
num mar de palavras.
Caminhamos lentamente
para um jardim de futuros,
um labirinto de imaginação
à espera de acontecimentos.

Quando cansar de desenhar o futuro,
pegue as diversas folhas rabiscadas,
misture as cores e
concretize o presente.

Somos corpos mergulhados
em quadros de sentimentos.
Pintamos cada traço
de nosso espírito,
sonhadores,
sonhamos sem pressa
para acordar.

Tenho a sensação
de andar devagar em meio
ao Amor,
mas corro para um abraço
que não espero estar
longe.

Tenho a sensação
de embriaguez de abraços.
Deve se perder
em meus braços.

Somos corpos mergulhados
na certeza de que nunca
deverão andar só.

Andar sem cair
num futuro sem palavras,
num futuro onde a
saudade se faz por distâncias
menores,
numa avenida.

Sem andar só,
mas que só rabisque
os braços a sós,
embriagados só
na sensação
sem ter que acordar.

Manoel Vinícius Souza


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Contando estória


Um casebre no
topo da montanha
molda meu abrigo.

A lareira acesa e
uma colcha de retalhos
a me esquentar.

A saudade se marca
em cada traço
da minha alma.
Estamos em alta madrugada,
você bate à minha porta
pedindo proteção.

Te ofereço abrigo
do mundo lá fora e
 me encanto com tua chegada.
O sorriso que sai
com cuidado e sincero
torna-se semelhante
a lareira, me faz sorrir
e acalenta a minha alma.

O casebre
molda o abrigo
a dois.

Faz-se silêncio
entre nós e
busco ouvir teu coração.

Passamos horas conversando
numa madrugada longa,
enquanto lá fora o vento sopra
a fim de ouvir e levar
nossas palavras.

Não sei por que,
mas meus lábios
atraem-se pelos teus e
quando se encontram
nem mesmo faço ideia
de onde estamos.

O tempo passa ligeiro
por entre nossos beijos,
sendo que nos beijamos tanto que
o sol resolve por reinar,
os pássaros cantam com o dia
e lá fora parece não oferecer
mais perigo...

O casebre,
abrigo de meu amor,
te oferece aconchego, enquanto
o dia passa rápido.
Porém, uma vez que entrou
pela minha porta,
sinto que de mim
não sairá.

Manoel Vinícius Souza



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Surrealismo - cubista

Sentado a ver o Sol.

Um dia sem 
mente clara.

Sensações de rabiscos,
de vazios, 
de xícaras cheias de ideias amontoadas
em livros de nuvens
que se acizentam e 
trovejam parágrafos,
relampejam em páginas brancas
e chovem sílabas desconexas.

Em gotas de ideias 
inacabas
de um dia de Sol claro
e de tormentas (pensamento).

Manoel Vinícius Souza

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O meu medo


Não tive medos
E ainda não os tenho.
No entanto uma verdade
É capaz de deixar resquícios de
Um medo que nada
Mais é do que a própria verdade,
Dolorosa,
Insensata e
Mais insana que eu.

É mesmo interessante
Quando se descobre um medo.
Principalmente quando este medo
Te leva ao mais fundo do teu ser,
O mais fundo de si,
Que toda impiedade é
Posta a sua frente
E friamente o fogo
Consome cada célula
Do corpo.

Como se estivesse olhando para
O Sol.
Frente a frente com o astro
Ele me cega, me atrai
E me devora em chamas,
Passo achá-lo lindo,
Porém, doi...

A loucura de uma alma em
Plena dormência
É a saudade que
Revela o limite das palavras
Quando estas não possuem
Os olhos atentos,
Os ouvidos tão recíprocos,
O sorriso tão fotografado.

Não há em mim o medo
Literal do mundo,
Há apenas o medo literal humano.
O conhecimento do que sente
E do que se faz sentir
É tão assassino quanto uma
Mente sem medos de matar.

Tantas coisas são jogadas no
Lixo dos meus pensamentos
E num processo de alimentação
Das chamas, que por vezes
É inconsciente,
Tudo se torna passível de
Incêndio
Até mesmo a materialidade
Do que temos por real.

Eu volto sempre a ver o
Sol,
No entanto, com a alma acordada
Para que não somente os meus olhos
De mim sejam os que enxergam,
mas o meu eu vivo
veja o astro rei,
veja o amor
me consumindo,
queimando cada entranha do meu corpo,
cada sopro de pensamento
cada palavra escrita,
cada palavra dita,
cada verdade em mim existente,
e não sobre pó do que fui.

Nisso que enxergo
eu possa sempre ver
(mesmo alimentando tais chamas)
os olhos dela me consumindo,
o silêncio da certeza de sua alma
pairando sobre o ar
e o sorriso roubado (ou não)
que vem de um Sol
devorado
em suas próprias chamas
perante a aceitação de toda a
minha existência e disso que me
faz existir.

Manoel Vinícius M. Souza

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Num ciclo

O desejo alimenta
os meus vícios.
Os meus pensamentos alimentam
a ideia.
A música alimenta
a poesia.
Os sons alimentam
o meu descanso.
O Amor alimenta
a minha alma.
Os sorrisos alimentam
os meus sonhos.
A inspiração alimenta
a insônia.
A insônia alimenta
a saudade.
 E a saudade alimenta
o desejo...

Manoel. Vinícius Souza

XVII instantes

A inspiração
me vem num
instante.
Carrega consigo
um intenso levante
de sonhos infantes
e dos medos
revirados da estante.
Se pensasse com
versos pedantes
sorria triunfante
como poeta de amantes.
Sou poeta, sim!
Mas sou apenas amante
dessa inspiração
que me vem
nesse instante.

Manoel Vinícius Souza

domingo, 15 de janeiro de 2012

Poesia segundo o mar


De fronte ao mar
O encaro
Como um interrogador,
Descubro as conspirações
Do mar e da lua.

Eu ouço o som do mar...

Interrogo a mim mesmo
E me pergunto por que
Ele ainda não a trouxe?

Durante a noite as águas tornaram-se
Homogêneas e os meus sonhos
Eternos perante
A minha concepção de um
Mundo que nos aproxime.

Ouvi o mar...

Vem ver o sol nascer
 sobre nossos ombros
Na cama
Como dois amantes
Silenciosos em suas promessas
E prontos para amar.

Vem ouvir a poesia que
As ondas pronunciam
Como se fossem novidades
De almas mergulhadas em saudades...

A minha alma...

Se não podemos olhar
O sol por inteiro
Sejamos então humanos
E nos banhemos de nossa
Impureza,
Enquanto nossa humanidade
Seja divina como todas as coisas.

Sejamos humanos para ouvir
As promessas do mar
Enquanto somos um só
Em nossa intensidade.

Essa poesia é a transcrição
Das palavras do mar
Numa noite em que
O encaro,
Como interrogador
E a lua me interroga
Como se me faltasse companhia.

Manoel Vinícius M. Souza

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ao mar

Olhando para o além mar,
além do tempo,
além do meu tempo.

Parar para olhar o
caminhar das horas,
do sol que se vai sem mim
e tendo você em
meus braços.

O meu olhar preguiçoso
dos segundos espaçados
e dos meus sonhos
vislumbrados em teus olhos,
se espalha pelo horizonte
dos mares que nos envolvem.

Como uma ressaca
voltamos
a praia dos beijos roubados,
dos beijos ardentes e
inocentes frente
ao infinito de nossos lábios.

Olhando para além mar,
vejo a preguiça de nosso tempo
que insiste em esvair-se pelos meus dedos
enquanto minhas mãos
perdem-se em ti.

Manoel Vinícius M. Souza